Conservatório de Música de Coimbra
 Página Principal Eventos Cerimónia de inauguração
Cerimónia de inauguração
12
DEZ
Em 12 de Dezembro de 2010 teve lugar a cerimónia de inauguração do Conservatório de Música de Coimbra e da Escola Secundária da Quinta das Flores. Após o descerramento da placa inaugural, pela Senhora Ministra da Educação, Dra. Isabel Alçada, acompanhada pela Senhora Ministra da Cultura, Dra. Gabriela Canavilhas, teve lugar um acto solene, no qual o Director do Conservatório proferiu o seguinte discurso:

“Quando a maioria dos docentes do Conservatório iniciou os estudos de Música, em Coimbra ou noutro lugar, esta escola não existia. Claro que não estamos a falar do espaço físico, magnifico, hoje inaugurado. Referimo-nos ao sítio educativo, ao lugar de aprender a arte dos sons.

Não há muitos anos, nesta cidade (nesta sociedade) o ensino artístico não era coisa pública. Estava-se ainda no tempo do “aprender piano e falar francês”, e o acesso a aulas de Música era privilégio de poucos; o Conservatório era, então, uma máquina que se alimentava das bolsas folgadas de uns e dos sacrifícios de outros, numa desordem de valores que mantinha quem não podia pagar à distância. E se caracterizamos esta realidade com a aridez com que se fala de uma qualquer transacção comercial é porque, naquela dimensão, “pagar” era a diferença entre ter e não ter, a diferença entre ser e não poder ser.

1985 foi o ano em que este estado de coisas se alterou profundamente. Às movimentações de pais, alunos e professores juntou-se o gesto político da criação do Conservatório de Música de Coimbra. A própria Portaria de criação da Escola sublinha que (e citamos) “há muito que a cidade deseja a criação de uma escola oficial de ensino da Música”. Entre esse desejo e o dia de hoje passaram-se 25 anos, o tempo que o Conservatório demorou a encontrar este lugar de viver bem. Mas o importante é que durante essas duas décadas e meia, centenas de jovens de uma vasta área geográfica têm podido contar com uma escola cuja missão tem sido oferecer o ensino musical especializado sem pedir mais do que a capacidade e a vontade de saber e de partilhar. E é, também, essa maneira de se ser escola que hoje aqui celebramos – escola pública, comprometida apenas com a obrigação, que é de todos nós, de reproduzir ao nível da educação uma sociedade apostada em promover a igualdade de oportunidades e a justiça social. Esse gesto de ser o Estado a assumir o dever de educar os seus não tem sido apenas uma questão de propriedade da Escola – é um traço civilizacional que, na história da Humanidade, tem a sua origem no desígnio emancipador de “liberdade, igualdade e fraternidade” e que em Portugal conheceu um decisivo impulso a partir da implantação da República cujo centenário festejamos. Trata-se, pois, do traço civilizacional que converte toda a educação, e também a educação artística, em bem de primeira necessidade, criando novos horizontes de dignidade para a condição humana.

Hoje inaugura-se também a união de duas escolas. E este passo não pode ser visto como o mero alojamento em casa comum de duas realidades educativas. Trata-se, sim, da criação de uma realidade nova, uma espécie de união de facto em que as individualidades se conjugam, sem se perderem. A junção destas duas escolas contraria o pensamento anacrónico dos saberes separados – a arte para um lado, a ciência para outro. Aqui os laboratórios de física vivem paredes-meias com a sala de orquestra, materializando aquilo que Bento de Jesus Caraça, matemático e homem de cultura, queria significar, ao estabelecer um paralelo entre as obras de Newton físico e de Bach músico, enquanto “construtores de uma mesma majestade, segurança e universalidade com que a Humanidade se tornou mais consciente do seu lugar na Terra”.

A realidade nunca é só isto ou só aquilo. Por ser produto do sonho “é tela, é cor, é pincel, base, fuste, capitel, arco em ogiva, vitral, pináculo de catedral, contraponto, sinfonia” como bem nos ensinou o pegagogo-poeta Gedeão.

Não falaremos nesta ocasião de mera gratidão, pois as mesuras são empecilhos que a vida a sério dispensa. Trata-se, mais do que isso, de referir com afecto quem, neste processo, assinalou pontos de viragem que nos fazem estar agora nesta sala tão linda. De uns sabemos o nome, de outros sabemos de onde vêm. Já referimos os pais, os alunos, os professores que sonharam esta escola e a sonharam pública. Referimos também as organizações culturais, os sindicatos, a autarquia, os funcionários da escola que foi crescendo ao longo destes anos. E alguns nomes: o Professor Tobias Cardoso que iniciou esta aventura, a professora Maria de Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação na legislatura anterior, que ambicionou, concebeu e dinamizou esta Ideia de escola; o Dr. Carlos Encarnação que envolveu o Poder Local neste caminho; o engenheiro Cintra Nunes que dirigiu a obra entre a ideia e o objecto; os operários da obra, as equipas da Parque Escolar e da VHM que a fizeram crescer, o arquitecto José Paulo dos Santos que riscou papéis e paredes para que se erguesse este que é, agora, um objecto de arte também; os professores, os pais e os alunos que andaram de casa em casa até chegar a este vale; o Professor Sobral Henriques e a comunidade da Quinta das Flores que nos acolheram para que, todos juntos, fundássemos a nova Escola. Ficamos felizes em ver-vos aqui, vós que estais connosco a participar no nascimento desta vida nova. Faremos por estar à altura da confiança que, todos, em nós depositaram.”

Outros Eventos
Não existem mais eventos.
  
   TOPO DA PÁGINA   Topo